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Foto: arquivo pessoal

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Após mais de oito anos, o júri popular de Júlio César Leandro, acusado de arrastar Maristela Stringhini por cerca de 800 metros, em 2014, é realizado nesta quinta-feira (5) no Fórum de Rio do Sul. Nesse período de espera, o caso teve muitos desdobramentos e desde então Maristela, que reside em Lages e estava de passagem na cidade, passou por pelo menos 53 cirurgias.

O acidente ocorreu no dia 13 de abril e ela tinha pouquíssimas chances de sobreviver, mas resistiu e continua lutando para reconstruir o corpo. Além disso, ela enfrenta outros problemas judiciais, uma vez que o médico que realizou parte dos procedimentos cobra pelos seus serviços o valor de R$700 mil.

Em entrevista com a repórter Helena Marquardt, para o Jornal Diário do Alto Vale, em 7 de março de 2022, ela relatou que ainda sente dores e vem perdendo os movimentos das mãos. “Sinto dores o tempo todo e a cada dia vejo que estou perdendo mais os movimentos das mãos, não consigo girar a maçaneta de uma porta. Meu joelho também está muito complicado, tenho que usar tornozeleira. Tive que passar a usar óculos porque tive lesão no globo ocular em virtude do acidente. Teria que fazer muitos outros procedimentos médicos, mas não tenho vergonha de dizer que não puder fazer porque não tenho condições financeiras”, contou.

“O meu caso foi um dos casos mais raros, porque até hoje não há quem tenha sobrevivido depois de ser arrastada por 800 metros e perder a parte frontal inteira do corpo. No começo a gente não sabia como iria ser, se eu ia conseguir colocar silicone, tirar a pele ou melhorar a questão estética. Primeiro tentaram me salvar, depois começaram a mexer no rosto que quebrou todo e depois os médicos iam se reunindo para estudar o que podia ser feito”, acrescentou.

Com todos os problemas, ela ainda precisa conviver com marcas em seu psicológico, síndrome do pânico e depressão, já a espera pelo julgamento deve ter um fim, nesta quinta-feira. “Tenho que acreditar na justiça da terra e que comece por esse júri. O povo de Rio do Sul merece depois de tudo que rezaram por mim, torceram. Se estou viva foi uma corrente entre Deus e médico, equipe médica, de todos que me ajudaram de várias formas e minha família que sempre esteve comigo nos piores momentos”, afirma.

Busca por justiça

Depois do ocorrido, a mulher moveu dois processos contra motorista que é acusado de ter causado o acidente, um cível e outro criminal. O advogado de acusação, Luiz Vicente de Medeiros adianta que no júri vai sustentar a denúncia que não foi um mero acidente como alega a defesa. “Foram duas tentativas de homicídio qualificadas, tendo em vista que o acusado usou o carro como se usa uma arma, para matar”, afirmou.

Já o advogado de defesa de Júlio César Leandro, Paulo Voltolini, foi procurado pela reportagem e afirmou que seu cliente se envolveu no acidente, mas que em nenhum momento houve tentativa de homicídio. “O que houve foi um acidente de trânsito grave, mas o réu, Júlio, jamais tentou tirar a vida de quem quer que seja, portanto não houve tentativa de homicídio”, destaca.