Alto Vale, Saúde
Foto: Arquivo/DAV

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O coronavírus chegou a Terra indígena Laklãnõ, que está localizada entre os municípios de José Boiteux, Vitor Meireles e Doutor Pedrinho e em poucas horas se espalhou rapidamente nas aldeias dos povos Xokleng. Agora lideranças temem um verdadeiro genocídio dos indígenas e denunciam a falta de profissionais para atendimento dos infectados e de assistência básica por parte do Governo Federal e das prefeituras envolvidas. A situação mais grave é na Aldeia Palmeira que concentra 39 dos casos confirmados.

A indígena Ana Patté, que é uma das jovens lideranças, conta que entre os contaminados há homens e mulheres de todas as idades, desde crianças até idosos. “É uma triste notícia. As pessoas já estão em isolamento domiciliar e o atendimento da Sesai está sendo feito dentro da Terra Indígena, mas sabemos que com as diferenças culturais essa questão de isolamento social é mais complicada já que nas aldeias moram no mínimo cinco pessoas em uma casa”, explicou.

Ela também afirmou que nesse momento os indígenas precisam mais do que nunca de ajuda, desde atendimento médico até necessidades básicas como alimentação. “As pessoas não estão podendo sair das suas casas para trabalhar e colocar a comida na mesa, então contamos coma solidariedade dos outros. Já acionamos órgãos responsáveis como prefeituras, Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para quer façam um interferência nas aldeias e que essa atuação da saúde aconteça  aos povos indígenas”, disse.

O membro do Conselho Distrital da Saúde Indígena, Geomar Covi Crendô revela que o polo base da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) está tendo uma dificuldade muito grande de fazer os atendimentos dos contaminados. “Não está sendo o atendimento de acordo com o que a gente precisa porque hoje todos os equipamentos que são necessários para trabalhar contra o covid-19 estão em falta”, ressalta.

Ele garante que desde o início da pandemia as lideranças e indígenas se uniram e implantaram medidas de prevenção como barreiras sanitárias e orientação dos moradores das aldeias, mas isso não foi suficiente e revela que agora não há atendimento para todos os infectados. “Isolamos a comunidade por orientação do polo base e núcleo de atendimento nas aldeias onde tem equipes de enfermagem, técnicos, dentista e apenas um médico que não está dando conta de tantos casos”, denunciou.

O líder denuncia que faltam recursos para combate à pandemia, já que todas as verbas precisam ser definidas e liberadas diretamente pelo Governo Federal . “Os municípios veem o povo Xokleng como um povo separado em relação à saúde e que deve ser atendido apenas pela Sesai, mas não é o que precisava acontecer porque também somos munícipes dessas cidades, o que é muito triste e preocupante”, disse.

O que diz a Sesai

Procurada pela reportagem o coordenador regional da Sesai, Alexandre Ross informou que estará enviando uma equipe de resposta rápida composta por quatro profissionais que vão atuar na prevenção à covid na Terra Indígena Laklãnõ. “Já conseguimos com o apoio do Exército cinquenta camas e já estamos organizando um local para isolamento de quem está com covid”.

Alexandre ressalta ainda que os profissionais da saúde que estão atendendo a terra indígena possuem equipamento de proteção individual, mas que os povos indígenas não estão seguindo as normas e recomendações de isolamento adequadas “Tenho conhecimento de que não tem falta de EPI como se tem relatado. Infelizmente a gente está tendo uma dificuldade bem grande com os indígenas que não tem acatado a parte de não sair da comunidade. Eles têm máscaras para estar utilizando, que foi doação de diversas entidades. Então a gente está tendo dificuldade nessa questão”, conclui.