Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Trabalhadores que atuam na saúde indígena na região de José Boiteux paralisaram as atividades nesta sexta-feira. Os motivos seriam o atraso no pagamento de salários e diárias dos motoristas, falta de recursos para auxílio alimentação dos pacientes, falta de manutenção da frota e até mesmo de dinheiro para o abastecimento dos veículos de transporte. Diante dos problemas, lideranças indígenas anunciaram também uma manifestação que está marcada para a próxima terça-feira (31) no portal do município.

O cacique presidente da Terra Indígena Laklãnõ, Nilton Ndili, informa que o protesto, que deve reunir aproximadamente 100 pessoas, está marcado para iniciar às 10h e o trânsito também será bloqueado por cerca de 30 minutos. Ele conta que a precarização da saúde indígena vem se agravando desde o início do ano e que o Governo Federal alega dificuldades por conta da pandemia. “Mas isso não é desculpa porque os atendimentos na saúde não podem parar. Hoje estamos atendendo apenas situações de urgência e emergência”, comenta.

Ndili afirma que cada carro está recebendo apenas R$ 100 reais para abastecimento por viagem, mas o valor não é suficiente para chegar aos hospitais de referência em cidades como Florianópolis, Lages e até Curitiba. “No preço que está o combustível esse valor não dá para nada. Não temos como trabalhar dessa forma, por isso estamos fazendo esse protesto no polo base de José Boiteux”.

Atualmente o polo base conta com 10 veículos, mas segundo ele apenas seis estariam rodando, alguns mesmo em condições inadequadas. O cacique acredita que a falta de manutenção coloca em risco a segurança dos próprios pacientes. “Estamos trabalhando com vidas então não tem como ignorar essa situação”, completa.

O que diz a Secretaria Especial de Saúde Indígena?

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) declarou que o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Interior Sul abriu duas licitações para contratação de empresa para fornecimento de ticket de alimentação, mas não houveram interessados e que uma nova licitação está prevista para 11 de junho.

Com relação à frota de veículos, o órgão afirmou que uso é utilizado racionalmente para deslocamento de equipes de saúde e pacientes enquanto o DSEI busca um aumento de cota de combustível. A manutenção básica está sendo feita periodicamente por empresa contratada por licitação. O Distrito aguarda renovação do contrato, em julho, para melhorar o contrato de oferta dos serviços.

Quanto ao atraso no pagamento dos salários de motoristas, o Distrito Sanitário Especial Indígena ressaltou que não pactua com atrasos de salários dos profissionais que atuam na saúde indígena e está providenciando processo de sanção e penalização da empresa terceirizada contratada. Uma nova licitação está em trâmite para contratação de outra empresa para prestação dos serviços.