Alto Vale
Foto: Assistência Social de Ituporanga/ Divulgação

Reportagem Rafaela Correa/DAV

Após ficarem alguns dias em um abrigo improvisado pela Prefeitura de Ituporanga, os trabalhadores encontrados em regime de escravidão puderam finalmente voltar para casa. Eles foram encaminhados pelo Município até Florianópolis e lá embarcaram em um avião com destino ao Ceará.

Os trabalhadores abandonaram a casa onde estavam vivendo em condições insalubres e pediram ajuda, só então a situação foi descoberta. Em um boletim de ocorrência, uma das vítimas disse que a vinda para a capital da cebola foi por meio de um agenciador. Este teria feito promessas de boas condições de vida, remuneração, moradia e roupas e ao chegarem ao local, a situação encontrada foi completamente diferente.

Com a safra de cebola, Ituporanga recebe todos os anos nos meses de maio e junho, muitos trabalhadores de outras regiões do estado e do Brasil. Este ano, em razão do coronavírus as fiscalizações foram intensificadas por Blitz sanitárias, a fim de realizar um cadastro de acompanhamento sanitário e garantir a segurança dos trabalhadores durante a pandemia.

Mesmo com as fiscalizações, alguns agenciadores conseguiram passar em transportes clandestinos, uma vez que o transporte interestadual estava proibido.  Um desses casos foi descoberto há alguns dias, quando 18 pessoas foram encontradas em situação de escravidão, na comunidade de Bela Vista. Após serem retirados do local pela assistência social, os trabalhadores foram encaminhados ao Centro multiuso da cidade.

De acordo com a secretária de Assistência Social Antoniela Ferreira, os trabalhadores foram acolhidos e encaminhados à cidade natal. “Eles viajaram nesta manhã  para Florianópolis e de lá pegaram o voo para Marco, no estado do Ceará. Quando fomos avisados preparamos um lugar para que eles pudessem ficar. A prefeitura forneceu alimentação e pagou a passagem de volta até Florianópolis. As passagens de avião foram pagas pela cidade deles”, explica.

Questionada sobre a fiscalização nas propriedades, ela concordou que pode ser que existam outros trabalhadores na mesma situação. Segundo a secretária, as fiscalizações competem ao Ministério Público do Trabalho. “Nós só somos acionados quando a situação é descoberta, para dar apoio e encaminhamento”, finaliza.