Alto Vale, Segurança
Foto: Divulgação

Em agosto de 2018, após uma denúncia anônima foi encontrada uma ossada humana na localidade conhecida como Estrada dos Tropeiros, no município de Leoberto Leal. Na ocasião foram acionados o Corpo de Bombeiros, para que fosse feito o recolhimento dos ossos e demais evidências, haja vista tratar-se de lugar íngreme, vegetação vasta, sendo localizado além da ossada também vestimentas. Na oportunidade foi acionado o Instituto Geral de Perícias e o Instituto Médico Legal.

De acordo com as primeiras análises efetuadas pelo Instituto Médico Legal a ossada tratava-se de uma feminina que deveria possuir a estatura entre 1,55m e 1,60m, sendo que o crime deveria ter ocorrido a cerca de 6 a 8 meses.
Considerando não existir na região um boletim de desaparecimento de mulher com tais características, e não se tendo notícia acerca da identificação da vítima, decidiu-se efetuar a divulgação das vestimentas encontradas próxima a ossada via mídia e rede social.

Após a divulgação, a equipe de investigação recebeu diversas informações acerca da identificação da vítima, dentre elas de que se tratava de uma feminina que trabalhava em casas denominadas de “casas de prostituição” nos municípios de Alfredo Wagner e Bom Retiro.
Diversas diligências foram efetuadas, tendo a equipe de investigação êxito em obter por meio de depoimentos a qualificação da vítima que se tratava de uma mulher de 29 anos de idade, e que o fato gerador de sua morte teria sido uma desavença relacionada ao tráfico de drogas.
Diante dessa informação, procedeu-se o contato com a família ocasião em que foi colhido o material genético dos familiares para confrontação, com o auxílio da Delegacia de Polícia de Desaparecidos, o qual confirmou a identidade da vítima.

A investigação apontou que a vítima foi morta com pelo menos um disparo de arma de fogo, todavia de acordo com depoimentos colhidos acredita-se que a vítima foi alvejada por pelo menos mais dois disparos.
Além disso, apurou-se que a vítima foi atraída e levada até o local dos fatos, sob falso pretexto de realizar um programa, enquanto os autores iriam realizar o assalto do “cliente”, mas durante o trajeto soube que teve sua vida sentenciada.
O crime foi previamente planejado e arquitetado, sendo escolhido um local ermo, para que o corpo não fosse encontrado na certeza de que este crime restaria impune.

Na última sexta-feira (02) o Tribunal de Júri reconheceu a autoria dos fatos por parte do réu, sendo ele condenado pelo crime de homicídio duplamente qualificado (art. 121 § 2º, inciso I e IV) e também pelo crime de tráfico de drogas, pois no momento da prisão foram apreendidos aproximadamente 23 gramas de cocaína em sua residência.
Ressalta-se que a investigação também apurou a participação de outro indivíduo, contudo, dias após a execução do crime, em um acidente de trânsito veio a óbito.
Sem sombras de dúvida esta investigação foi uma das mais complexas, dado o lapso temporal transcorrido do crime, da dificuldade de identificação da vítima, pois só existia uma ossada, sem maiores informações a respeito de quem se tratava, e também à época não existia desaparecidos na região, bem como no que tange a identificação da autoria que no transcurso da investigação se agravou, em razão da existência do temor por diversas testemunhas considerando os envolvidos e a motivação do crime.
Para o esclarecimento e fechamento de toda investigação foram necessárias diligências em diversas cidades: Ituporanga, Imbuia, Vidal Ramos, Alfredo Wagner, Lages, Urubici, Santo Amaro da Imperatriz e Florianópolis.
A sentença do Tribunal de Júri consolida todo um trabalho técnico científico feito com esmero pela Polícia Civil que contou com a cooperação do Corpo de Bombeiros, do Instituto Geral de Perícias, com a presteza e eficiência do Poder Judiciário e do Ministério Público, e sobretudo com o fomento de informações da população.