Alto Vale
Foto: Rafael Beling/DAV

Foi realizado na sexta-feira (29), em Santa Terezinha, o II Seminário Municipal de Grãos (Soja e Milho), voltado à produtores rurais do município e da região do Alto Vale do Itajaí. Durante as palestras foram apontadas novas tecnologias relativas à preparação e nutrição do solo, cuidados no plantio e manutenção das culturas, como também, perspectivas climáticas para a próxima safra.

Santa Terezinha é um dos principais municípios produtores de soja e milho do Alto Vale, culturas que perdem apenas para o plantio de fumo, que exponencialmente vem sendo substituída nas propriedades.

A safra atual de soja ultrapassou 12 mil hectares de plantio na região. Esse ano a expectativa é que ultrapasse 15 mil hectares de produção, pois a soja vem substituindo também a cultura do milho nas pequenas propriedades. As grandes propriedades, que são poucas, já desenvolvem essa cultura. “São 60 sacos de soja por hectare. Produtividade bem maior do que era nossa expectativa pra região”, comenta a engenheira agrônoma da Epagri, Leliane de Souza.

Leliane explica que o produtor rural deve observar todo o processo de plantio, que se divide na preparação do solo, com a análise física e química para determinar qual condição da propriedade e nutrição das plantas, para que elas estejam menos suscetíveis às patologias. “Além disso, é preciso analisar qual a cultura é mais apropriada para cada propriedade”, explica Leliane.

O engenheiro agrônomo da Timac Agro, Everton Forsthofer abordou o tema nutrição de plantas associadas com sanidade. “Para produzirmos soja é importante mantermos todo o potencial produtivo, que é construído através de uma boa adubação, uma boa nutrição, mas também é necessário proteger a planta”, explica.

O desequilíbrio na nutrição do plantio pode deixá-la debilitada, consequentemente concentrada de patógenos. “Uma nutrição em quantidade correta e em equilíbrio de nutrientes é fundamental”, explica.

A adubação começa pela análise de solo e quantificação do potencial de produção. O engenheiro agrônomo explica que atualmente não são utilizados como insumos apenas fósforo e potássio. “Hoje se utiliza cálcio, enxofre e magnésio, micronutrientes importantes para fortalecimento da planta”, conta.

O gerente de Desenvolvimento e Produção da Cravil, Moacir Warmling, abordou em sua palestra o cenário da agricultura em nível de Brasil e a perspectiva de produção para os próximos 10 anos.

Posteriormente, explanou sobre a cultura do milho em Santa Catarina e as tendências de produção para a safra deste ano, como também, perspectivas para o próximo plantio.

Questionado sobre a expectativa da próxima safra, o gerente de Desenvolvimento de Produção da Cravil explicou que o produtor rural sempre vive na esperança de que o ano seguinte será melhor. “Temos alguns indicativos, mas vale lembrar que atualmente uma boa produção está aliada ao uso de tecnologias, que geram alta produtividade e consequentemente maior lucratividade”, explica.

Ronaldo Coutinho falou sobre clima

“Um ano atravessado”. Essa foi a definição utilizada pelo engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, quando questionado sobre as perspectivas do clima para a próxima safra. Durante sua palestra, fez uma abordagem sobre a expectativa do clima para a safra desse ano. “A tendência é que esta sofra mais riscos em relação ao comportamento do clima em relação à safra anterior”, adverte.

Haverá um excesso de chuvas para outubro e começo de novembro. Posteriormente, uma provável estiagem a partir da segunda quinzena de novembro e todo o mês de dezembro, podendo se estender até o início de janeiro.

Coutinho sugeriu que os produtores rurais adotem o sistema escalonado de plantio, isto é, que seja dividido em pelo menos dois períodos. “O agricultor não deve plantar tudo de uma vez pra tentar fugir um pouco das adversidades do clima”, explica.

Geralmente o homem do campo tem costume de fazer todo o plantio entre 10 de outubro e 20 de outubro. Ele sugere, que se for possível, a semeadura seja dividida, e metade deve ser plantada 15 ou 20 dias após o plantio da primeira remessa. “A intenção é tentar jogar a florada da soja e também o enchimento de grãos do milho para um período menos problemático. Teremos muita alternância entre seca e excesso de chuva em um período curto, como deve ocorrer em outubro”.

Ele também recomenda que é necessário ter cuidado com a parte inicial do plantio, principalmente em relação a erosão e com a própria adubação. “O homem do campo deve evitar colocar todos os insumos de adubação de uma única vez, dessa forma ele evita que esses insumos sejam lavados após uma chuva mais forte”, recomenda.

Outra tendência que poderá prejudicar a plantação é o frio precoce, que poderá surgir a partir do mês de março, ocasionando maior incidência de doenças na plantação. Pra finalizar, Coutinho recomendou que todos devem ter responsabilidade no cuidado com o insumo principal para a plantação. “Temos que cuidar o máximo possível da água, dos mananciais, dos rios, aproveitar agora que está baixo, tentar limpar, cada um fazer sua parte, porque a natureza sempre tem os dois lados. Agora está seco. Daqui duas semanas o pessoal vai reclamar do excesso de chuvas”, finaliza.

O Presidente da Cravil, Harry Dorow, destacou a importância da realização do seminário para o município de Santa Terezinha e toda a região do Alto Vale do Itajaí. “Precisamos cada vez mais levar informação e tecnologia para que nosso produtor rural possa sempre inovar, aumentar a produção e principalmente, a renda do homem do campo”, explica.

O II Seminário Municipal de Grãos (Milho e Soja) faz parte das atividades alusivas a 11ª Festa Regional do Mel e 1ª Expofeira da Agricultura Familiar, eventos alusivos aos 26 anos de emancipação político-administrativa de Santa Terezinha.

O Seminário foi realizado pela Prefeitura de Santa Terezinha, Epagri, Cravil e Timac Agro, com apoio da Sicoob, Governo de Santa Catarina e Faesc.

Rafael Beling