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Foto: Helena Marquardt/Arquivo

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O Dia dos Pais, comemorado neste domingo (9) também marca os exatos 75 anos de que uma bomba nuclear de plutônio foi lançada pelos Estados Unidos sobre a cidade japonesa de Nagasaki, deixando milhares de mortos e feridos.  Wataro Ogawa tinha apenas 16 anos e sobreviveu a guerra porque estava num navio em alto mar, mas viu muitos parentes e amigos perderem a vida por causa da tragédia. Depois de tanta tristeza deixou tudo para trás e decidiu recomeçar a vida no Brasil. Hoje, com 91 anos, é um exemplo de pai e segundo seu filho, um herói que sabe e divulga como poucos a importância da paz.

Atualmente Ogawa vive na colônia japonesa em Frei Rogério e contou ao DAV que deixou a terra natal, mas a guerra permanece viva em sua memória através das lembranças e por isso se dedica ainda hoje a defender a paz.Trago essas lembranças até hoje. Agora quero transmitir isso para que as guerras não aconteçam mais”, disse.

O agricultor Naoki Ogawa,é filho do sobrevivente e diz que apesar de todo o sofrimento que o pai passou na adolescência ele teve coragem de vir para um país totalmente desconhecido e começar uma nova vida. “Para mim ele é um herói, independente do que ele representa também para a sociedade. É um exemplo a ser seguido por todos, de seriedade, de dedicação ao trabalho e principalmente porque apesar de ter 91 anos em ainda tem sonhos, um deles é ver um mundo melhor”, disse.

Naoki lembra que o pai também sempre fez questão de falar sobre o assunto para outras pessoas e lembra de tudo o que aconteceu. “Ele tem alguns problemas de saúde, mas com quase 100 anos é bastante lúcido em relação a tudo que acontece. “Agora na pandemia ele está bem regrado, sabe que tem que usar máscara, que não podemos sair de casa. Então vamos comemorar em família o Dia dos Pais, o aniversário do meu filho e lembrar os 75 anos da bomba atômica que marcou a vida do meu pai para sempre”, completa.

Questionado sobre a mensagem que deixaria para a sociedade, Wataro Ogawa afirma que já presenciou o sofrimento e morte de muitas pessoas por causa da guerra e que não quer que isso volte a acontecer. “Vi pessoas que queimaram o rosto por causa da radiação da bomba atômica e que passaram o resto da vida escondendo seus corpos. Tinham vergonha de dizer que eram sobreviventes porque muitos acreditavam que era contagioso. Vi gente se suicidando porque não tinha mais nenhuma projeção de vida. A mensagem que eu tenho para passar é que a guerra não leva a lugar nenhum, então sou totalmente contra a construção de armas nucleares, tão perigosas. Temos que pensar no próximo porque isso evitaria muitos danos. Temos que viver sem pensar em guerra”, finaliza.