Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Depois de 20 anos de batalhas judiciais e até de desesperança, os cerca de 280 trabalhadores da extinta Sulfabril, em Rio do Sul vão finalmente receber os últimos 15% das dívidas trabalhistas que na capital do Alto Vale somam quase R$ 1 milhão. O dinheiro começa a ser pago nos próximos dias e coloca um ponto final na história que marcou a vida de mulheres e homens que de um dia para o outro se viram sem emprego e sem a garantia de seus direitos.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Têxteis de Fiação e Tecelagem de Rio do Sul e Região (Sititev), Zeli da Silva, era uma das colaboradoras da empresa quando ela fechou as portas e lembra que desde então eles lutaram incansavelmente para receber as verbas rescisórias. “Fazem 20 anos que a Sulfabril fechou em Blumenau, Rio do Sul e Ascurra deixando sem pagar 2.800 trabalhadores e trabalhadoras que foram demitidos e na época não receberam nenhum centavo das verbas rescisórias, desde então começou a luta pela cobrança dos direitos de todas essas pessoas. Foram várias reuniões, audiências, tudo muito moroso até que entrou a juíza que colocou a empresa a leilão”, disse.

O dinheiro para o último pagamento dos trabalhadores é decorrente de valores de ações que a empresa ganhou na justiça e foram para a conta da massa falida, além da arrecadação de leilões para a venda do patrimônio da Sulfabril. Ao todo nesses 20 anos o caso ficou sob a responsabilidade de sete juízes. “Foi um processo muito triste, de muita luta dos trabalhadores e do Sindicato para tentar resolver o caso e se passaram 20 anos. Agora os 15% restantes que faltavam estão sendo pagos primeiramente a quem tem conta no Santander, Banco do Brasil e Viacredi e em seguida aos demais”, completa Zeli.

Adriana Konig era uma das costureiras da Sulfabril quando a empresa fechou as portas. Ela atuou na indústria por 13 anos e diz que nem tinha mais esperança de receber todo o valor devido, que agora chegou na hora que ela mais precisa. “Apesar dessa novela de 20 anos e de eu contar como um dinheiro perdido o pagamento veio na hora em que eu mais preciso. Meu marido está internado na UTI por complicações da Covid e minha família vive uma situação muito difícil e sei que como eu muita gente está precisando então fico feliz de receber”, relata.

Adriana diz ainda que quando a empresa fechou viveu um período de incerteza ao se ver sem emprego e sem dinheiro, ela acredita que os trabalhadores não foram valorizados como deveriam quando a Sulfabril decidiu fechar as portas. “A gente sempre deu o sangue pela empresa, fazia horas extras, banco de horas para tentar alavancar ela de novo e num dia nos vimos sem emprego e sem dinheiro. Não pensaram em como a gente iria viver. Fomos demitidos e não recebemos a rescisão como foi combinado na época, tanto é que se passaram 20 anos”, desabafa.

A presidente do Sindicato declarou ainda que apesar do pagamento final acredita que os trabalhadores estejam recebendo o dinheiro com uma defasagem muito grande. “E é triste saber que sempre os trabalhadores acabam pagando a conta porque na verdade o justo e o correto teria sido a empresa pagar lá em 1999 quando fechou, não por não ter dinheiro, mais sim porque foi fraudulenta em relação a massa falida exatamente para não pagar os trabalhadores. Mesmo assim acho que valeu a luta enquanto presidente do sindicato, mas também como ex-trabalhadora da Sulfabril porque tudo que estava ao nosso alcance nós fizemos”.

Quando a empresa declarou falência em 1999 as dívidas trabalhistas somavam mais de R$ 60 milhões. O primeiro leilão de bens, no entanto ocorreu só 15 anos depois.