Alto Vale, Cidade
Foto: Helena Marquardt

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Exatamente sete dias após o cliclone extratropical que atingiu o estado e deixou prejuízos milionários em muitas cidades, o Alto Vale ainda tenta se reerguer. Em Rio do Sul, que foi um dos municípios mais afetados o prejuízo ainda não foi calculado, mas mesmo depois de tantos dias, dezenas de pessoas seguem trabalhando para consertar casas e empresas.

O operador de máquinas, Miguel Altair Bueno, pegou férias para fazer o conserto dos estragos causados na sua residência, mas ainda está com a casa coberta por lonas e vive momentos de apreensão. Ele conta que já conseguiu comprar as telhas, mas como estavam em falta no mercado, precisa aguardar a entrega. Enquanto isso tem medo de ter ainda mais prejuízos. “É uma preocupação porque a lona a gente não sabe se vai aguentar a chuva ou vento”, conta.

A diarista Denise Mohr estava em casa com o marido e viveu momentos de terror. Uma semana após o ciclone os estragos ainda são percebidos de longe. O telhado foi completamente arrancado assim como forro e janelas. Com o vento, tudo dentro da residência saiu voando e molhou” A janela foi parar do outro lado da casa. Destruiu tudo, estamos trabalhando há sete dias sem parar e não está sendo fácil, principalmente porque estamos sem luz há uma semana”, desabafa.

Empresas de todo o Alto Vale também foram atingidas e muitas ainda não conseguiram retomar a normalidade. É o caso da Artefatos de Madeiras Stolf, em Rio do Sul, onde o prejuízo calculado até o momento é de mais de R$ 2 milhões. O gerente de exportações, Daniel Stolf, conta que como os galpões foram completamente destruídos ou danificados, o momento ainda é de limpeza e organização. Ele estima que serão pelo menos 90 dias até retomar totalmente a produção. “Ainda estamos fazendo levantamento, mas até agora já são mais de R$2 milhões de prejuízo nas instalações e máquinas que foram danificadas totalmente ou parcialmente, mas claro que a conta será maior. Tem por exemplo todo o sistema de energia fotovoltaica que havíamos instalado no começo do ano e foi comprometido ou perdido. Ainda estamos calculando”, disse.

Na empresa, que tem 140 colaboradores, um galpão veio abaixo e sete funcionários ficaram embaixo das ferragens. Por sorte dois tiveram ferimentos leves e foram levados ao hospital. “O mais importante é isso porque no dia do ciclone a gente tinha mais de 100 funcionários trabalhando e só dois ficaram feridos, nenhuma vida foi perdida”, completa Daniel.

Na empresa JE Máquinas um colaborador não teve a mesma sorte. Vili Marchi, de 47 anos teve traumatismo craniano ao cair de uma estrutura durante o ciclone e permanece internado na UTI do Hospital Regional. Segundo o sobrinho dele, Rafael Marchi, o quadro é estável. “O quadro dele é grave, mas está estável”, afirmou.

Na noite de segunda-feira (6) a Celesc informou que ainda haviam 2.200 unidades consumidoras sem energia nos 28 municípios do Alto Vale. Segundo o chefe na unidade, Manoel Arisoli Pereira, a previsão é de que as equipes levem mais sete dias para reestabelecer o sistema. “Isso se não chover, porque senão as equipes não conseguem trabalhar. Nosso prejuízo até agora já é superior aos R$3 milhões. Consertamos tudo que era mais fácil e agora vem a parte mais difícil”, disse.

Formulário SOS Ciclone

A prefeitura de Rio do Sul disponibilizou no site da Defesa Civil um formulário para que possam ser cadastrados dados referentes às perdas causadas pelo ciclone extratropical que atingiu Rio do Sul e outras regiões de Santa Catarina na semana passada. O SOS Ciclone vai servir como instrumento de pesquisa para que a prefeitura possa levantar informações sobre o desastre e ainda elaborar relatório que será encaminhado à Defesa Civil de Santa Catarina.

Este levantamento de informações pode ser atualizado por empresários ou até mesmo pelo cidadão que teve prejuízos em sua casa ou veículos. É uma forma de dar maior veracidade às informações que farão parte do decreto de situação de emergência que está sendo elaborado e incentivar de alguma forma a eventual vinda de recursos para reconstrução. Desde que foi lançado até esta segunda-feira (6), pelo menos 249 formulários já foram preenchidos.

O SOS Ciclone está disponível para levantamento até o dia 12 de julho de 2020, pelo site da Defesa Civil: www.defesacivil.riodosul.sc.gov.br no banner SOS Ciclone.

Novo ciclone nesta terça

O novo ciclone extratropical que deve cruzar o Sul do país é de menor intensidade comparado ao ciclone bomba, registrado na última terça-feira (30). O fenômeno traz chuva para Santa Catarina e os ventos devem ser mais fortes no litoral, podendo atingir até 80km/h. Na última semana as rajadas passaram de 100 km/h e desta vez, deve chegar entre 50 e 70 km/h.

Além do ciclone extratropical, o acumulado de chuva deve ser significativo no estado. A entrada de uma baixa pressão deixa o tempo instável e chuvoso até, pelo menos, quarta-feira (08) no Oeste, Sul, Serra, Grande Florianópolis e apenas uma faixa do Alto Vale. A Defesa Civil alerta para a chance de deslizamentos de terra, enxurrada e até alagamento entre esta terça-feira (7) e quarta-feira (8). Os acumulados, segundo a previsão, se aproximam de 90mm. A partir da tarde de quarta-feira o tempo deve estabilizar.