Alto Vale
Foto: Jefferson Rengel

Reportagem:Rafaela Correa/DAV

No Alto Vale, de acordo com dados repassados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), muitas famílias vivem do cultivo da cebola que tem uma variação de preços bastante grande. Este ano, ainda não há um valor estabelecido, mas  agricultores dizem haver rumores de preço baixo.

O gerente regional da Epagri de Rio do Sul, Mauro Nunes, diz que a previsão para início das vendas é para o mês de novembro e que até lá não é possível falar sobre valores exatos. “A expectativa de início de compra é para o começo de novembro e o preço ainda será definido. A gente sabe que o Nordeste o valor está em torno de R$0,50, essa cebola chega aqui a R$1,10 porque tem custo de frete então quer dizer que o preço não está bom. O mercado está fraco, são mais feirantes, pessoas que colhem cebola que tiveram problema, mas não dá para falar de preço e no mercado, isso é normal”, conta.

Sobre os rumores de que os preços seriam baixos para esta safra, Mauro revela que tudo depende da qualidade do produto. “Não tem nada de preço bom porque estamos na fase inicial de colheita e a cebola tem todo um processo de cura, de limpeza e leva alguns dias até que o produtor esteja levando uma cebola com certa qualidade para conseguir um bom preço, mas os atacadistas não estão comprando ainda, o mercado está parado”, afirma. Ele diz ainda que o mercado gera muito dinheiro e que é preciso esperar para ver qual a realidade do preço que será pago aos atacadistas.

Jefferson Rengel e Luciana Rengel moram na comunidade de Figueiredo em Chapadão do Lageado e fazem duas safras, uma de fumo e outra de cebola. Esse ano eles plantaram quatro hectares com cebola e esperavam pelo menos 100 mil quilos, mas como a propriedade foi atingida pelo granizo, a produção deve diminuir muito e a qualidade também. Além da lavoura deles, na mesma comunidade muitas outras foram atingidas pelos temporais e os agricultores certamente sofrerão com baixa qualidade do produto e queda na produção. “Nós plantamos a cebola no final de junho, a expectativa é de colher uns 40 mil quilos por hectare, plantamos quatro hectares e a expectativa é vender a cebola a pelo menos R$1,20”, comenta.

Jefferson diz ainda que a compra está ruim e que há rumores de preços baixos. “Estamos sabendo de boatos que o valor deve ser de R$0,60, mas não temos certeza. Já arrancamos uma parte da mais precoce, semana que vem vamos arrancar o resto e tem que deixar ela secar um pouquinho, cortar e já mandar, mas a procura, o mercado está bem ruim”, completa.

Para quem depende do cultivo, a safra é sempre uma surpresa, já que diversos fatores influenciam no preço, um deles é a importação. “Nesse momento não ocorre ainda, só mais para frente que isso acontece, agora a cebola vem de outras partes do país, como a região Nordeste. Além disso, a cebola é plantada em várias altitudes e essa colheita é escalonada ou seja, é colhida em várias datas e estamos muito no início da safra, conversei com atacadistas e todos falam que não tem preço aberto”, esclarece Mauro Nunes.

Outro fator importante a ser considerado é a condição climática. O gerente da Epagri fala sobre a necessidade de chuva e fenômenos que a região presenciou, como o granizo. “Nosso pessoal está fazendo levantamento de perdas na região, mas a área plantada é grande e a perda por granizo não deve ser tão significativa no montante pelo fato de ter ocorrido em pontos localizados. Ainda é cedo para citar números, é preciso aguardar o final da safra. No mês de outubro choveu pouco, o índice pluviométrico foi baixo, agora começa esquentar, momento em que a chuva é muito necessária, é preciso irrigar a cebola e quem não tiver irrigação pode ter perda de produtividade”, explica.

O Alto Vale já enfrentou uma dura estiagem que se estendeu de 2019 a 2020. Segundo Mauro, a previsão para os próximos meses, a princípio é de pouca chuva. “Isso se dá por causa do La niña, normalmente o fenômeno traz pouca chuva e nos próximos meses, pode ser que não chova muito. O ideal é que as pessoas passem a economizar água para garantir”, sugere.

Produção de cebola na região

De acordo com o gerente, na safra 2019/2020, no Alto Vale havia uma área de 13, 200 hectares e cerca de cinco mil famílias trabalhavam com o cultivo. “É importante, nesse aspecto, dizer que a Associação do Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) tem 28 municípios e nesse número não estão incluídos Alfredo Wagner e Leoberto Leal que pertencem à outra região, mas quando falamos em região ceboleira eles estão inclusos”, finaliza.