Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt

 

Uma vereadora de Lontras vem questionando algumas licitações da prefeitura para a compra de materiais. Na sessão desta semana, Amélia Terezinha Odorizzi de Souza (PSDB) cobrou a anulação de uma licitação e apontou que outras estariam com valores de produtos superfaturados. Já o prefeito Marcionei Hillesheim nega qualquer irregularidade e afirma que a vereadora está desinformada.

Ela afirma que em uma licitação em janeiro, vencida por uma empresa da cidade, o pó de brita foi adquirido a R$ 69 reais o metro cúbico. Já em abril, em outra licitação vencida pela mesma empresa, o valor subiu para R$ 84 reais o metro cúbico, um aumento de quase 22%.

“O preço base oferecido pela prefeitura foi de R$ 84,50 e a empresa venceu com a proposta de R$ 84 reais porque foi a única participante. Mas eu fiz uma pesquisa de preço na loja física da empresa vencedora e lá custa R$ 74 reais o metro cúbico. Mas carga fechada, a partir de 10 metros cúbicos ainda tem desconto e eles vendem a R$ 68 reais”, questiona.

Amélia diz que fez ainda pesquisas de preços em toda a região do Alto Vale e encontrou valores bem abaixo do que foi pago pela prefeitura, isso incluindo a entrega em Lontras. “Nenhuma ultrapassa esse valor de R$ 84 reais. Já fiz a denúncia online e agora farei via advogado”, completa.

A vereadora acredita que cabe a prefeitura zelar pela boa aplicação dos recursos públicos. “Caberia ao Executivo tomar providências dessa licitação que não teve concorrência. Estamos falando de dinheiro público, não pode ser feito o que bem se entende, principalmente nesse momento de pandemia”, disse.
Os questionamentos foram transmitidos ao vivo através da sessão virtual.

Procurado pela reportagem o prefeito de Lontras, Marcionei Hillesheim, negou as irregularidades e disse que as empresas e valores são determinados seguindo todos os processos de licitação estabelecidos pela lei. “A vereadora Amélia Terezinha de Souza é uma desinformada, gosta de picuinha e levanta falso testemunho”, disse.

Problemas em outras licitações

Amélia diz que esta não é a primeira licitação que ela acredita que deveria ser anulada e cita ainda a compra de brita graduada para utilização na sub-base de asfaltamento através de uma outra licitação que teve duas empresas concorrentes. “A licitação era para adquirir mil metros cúbicos de brita graduada para fazer a base da rua Paraguai, de 200 metros de comprimento por nove de largura, mas analisando e conversando com pessoas que entendem dessa área todos dizem que seriam necessários no máximo 300 metros cúbicos, então onde foi usado o restante do material?”, questiona.

A pavimentação em outras ruas de Lontras, segundo a vereadora também estaria apresentando problemas e ela questionou o Executivo sobre diversas situações, mas alega que nunca recebeu resposta. “Teve pedidos de informação que fiz em junho e até hoje não recebi respostas. Dizem apenas que está tudo no Portal da Transparência sendo que existe um prazo determinado por lei para as respostas”, conclui.