Cidade, Política
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Reportagem: Manuella Mariani/DAV

A Câmara Municipal de Rio do Sul instalou nesta segunda-feira (6), uma comissão de inquérito para investigar atos de irregularidades no âmbito municipal em favorecimento de candidaturas nas eleições de 2018. O requerimento foi assinado por Fernando Cesar Souza “Nandu”, Francisco Goetten, Mário Sérgio Stramosk, Marcos Sávio Zanella e Zeli da Silva e caberá aos parlamentares analisar os fatos para saber se houve ou não a participação de servidores públicos e agentes políticos.

O processo veio à tona após ação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) nas estruturas da Prefeitura na última terça-feira (30). As equipes recolheram documentos, computadores e celulares e expediram 20 mandados de busca e apreensão em diversos locais do município.

O vereador Nandu contou que o intuito será a investigação da participação ativa ou omissa da ex-secretária de saúde, vice-prefeito e servidores em cargos de confiança do prefeito e esclarecer se houve ou não prejuízo ao município. “Até o momento, o que sabemos é que existe uma investigação na Secretaria de Saúde, envolvendo o deputado Milton Hobus, mas ele não faz parte dessa CPI. Pode ser que houve favorecimento da Secretaria de Saúde em troca de votos nas eleições de 2018, como furar fila do SUS ou até de pessoas de outras cidades usarem o sistema de saúde em Rio do Sul”, explicou.

Nandu disse ainda que foi uma surpresa o Gaeco ter vindo ao município, porém o próprio vereador já fez uma denúncia no Ministério Público de possível “fura fila” no SUS em 2017.

A vereadora Zeli da Silva não fará parte da comissão, mas ressalta que é a favor da CPI para a investigação. “Mais uma vez Rio do Sul está na mídia por conta da saúde e ultimamente tem sido um dos setores mais prejudicados com denúncias de corrupção e quem perde é a população”, disse a vereadora. Zeli também disse estar disposta a contribuir para que tudo seja investigado e se houver culpados, que sejam punidos. “Não me surpreendo com a investigação do Gaeco, não é a primeira CPI aberta em relação à saúde”, completou.

Outros vereadores que assinaram para abertura da CPI, como Francisco Goetten, Mário Sérgio Stramosk e Marcos Sávio Zanella, concordam que a função de vereador é analisar e fiscalizar as fraudes como essa no município, onde um cidadão não pode receber mais benefícios do que outro por favorecimento político. Eles também pedem apelo da população para que sejam respeitadas as filas e o sistema do SUS, não deixando-se levar pela ajuda de políticos.

A comissão de inquérito será formada por cinco vereadores, onde cada líder de partido com representação na Câmara indicará um representante. Em seguida, a Mesa Diretora publicará um resolução iniciando os trabalhos da comissão, que marcará uma primeira reunião para votar o presidente, vice-presidente, relator e secretário. O prazo para finalizar a investigação é de 120 dias.