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Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Há cerca de um ano um decreto assinado pelo prefeito de Rio do Sul, José Thomé, que permitia a retirada de materiais recicláveis armazenados a céu aberto pelos catadores gerou muitos questionamentos por parte dos trabalhadores que fazem a coleta de materiais recicláveis no município. Agora, um grupo formado por profissionais da Saúde, Vigilância Epidemiológica e Secretaria de Meio Ambiente atuam na criação de um programa que promete auxiliar esses profissionais em diversas áreas.

De acordo com o diretor da Vigilância Epidemiológica de Rio do Sul, James Rides, o grupo está em processo de finalização do projeto que deve ser apresentado ao prefeito para aprovação e que busca o cadastramento dos trabalhadores que realizam a coleta de recicláveis. Depois do cadastro eles devem receber um colete e uma carteira de identificação, além de uma nova carteira de saúde específica. Equipamentos de proteção individual (EPIs), treinamentos e orientações também devem ser fornecidos aos profissionais que tiverem esse cadastro.

James explica que essa é uma forma de assistir os trabalhadores com mais proximidade, a carteira de saúde específica por exemplo vai servir para que todos possam ter as imunizações em dia, já que quem trabalha com recolhimento de materiais pode estar mais suscetível a ferimentos e até mesmo doenças como o tétano, causadas por esses ferimentos. “Nossa intenção é ser um facilitador, pois eles fazem um trabalho social muito importante para o órgão público Executivo Municipal. Algumas pessoas já fazem esse trabalho com tamanha maestria, que já possuem uma certa clientela que já espera eles para buscar esse material e muitas vezes essa pessoa que recolhe é até do mesmo bairro, por isso nossa intenção é ter um controle das pessoas que trabalham com isso e poder fazer parte disso de forma mais efetiva”, avalia.

James afirma ainda que acredita que com esse projeto aquelas pessoas que começarem a desenvolver esse trabalho irão seguir os passos de quem já estiver cadastrado. “Com isso queremos a vinda de outras pessoas para se cadastrar, acreditamos que vai acontecer a vinda de outros catadores que vão ver aqueles com colete em um horário adequado e com os equipamentos de proteção adequados e ele vai seguir o mesmo caminho. Com isso, nós vamos poder estar verificando qual bairro tem mais esse tipo de profissional, nós vamos poder junto com a Assistência Social dar uma melhor qualidade de vida para as pessoas”, justifica.

O custo para execução desse projeto, de acordo com o diretor será proveniente das multas ambientais aplicadas no município.
Sobre o recolhimento de materiais armazenados a céu aberto, James diz que não está sendo executado nenhum recolhimento, mas está sendo solicitada a retirada pelos próprios moradores, já que na maioria dos casos os materiais são armazenados em propriedades particulares. O diretor explica que ao receber a denúncia sobre o local, a Vigilância Epidemiológica faz a visitação e solicita a retirada, que caso não seja feita em até 60 dias é convertida em multa que pode variar de R$ 100 a R$ 50 mil.

James explica ainda que a medida é necessária por uma questão de saúde pública. “Nós estamos hoje com 28 casos positivos de dengue em sete bairros e que até a Vigilância Sanitária Estadual fez duas reuniões conosco nesse mês de fevereiro, pois seremos o próximo município do estado a ser considerado infestado pela dengue, então estamos trabalhando muito nas comunidades com orientações, algumas pessoas são receptivas, outras não nos deixam nem entrar, não entendem a importância desse trabalho”, relata.

O diretor ressalta que muitos dos locais multados não pertencem aos catadores, mas que somente em 2020 foi aplicado o valor de R$ 1 milhão em multas