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Reportagem: Helena Marquardt

A fiscalização mais rigorosa da Vigilância Sanitária em salões de beleza de Rio do Sul, que impediu que diversos profissionais continuassem realizando o procedimento de micropigmentação tem causado polêmica na capital do Alto Vale. A fiscalização foi intensificada após denúncias de clientes que se sentiram prejudicadas.

A fiscal da Vigilância Sanitária, Nadir Marchi, explica que para realizar o procedimento de micropigmentação, que é considerado invasivo, é necessário que o profissional tenha curso superior em áreas como estética e biomedicina ou um curso técnico com uma carga mínima pré-estabelecida. “Existe uma lei específica para isso e o profissional tem que ser no mínimo um tecnólogo com 1.200 horas de curso ou ter graduação de nível superior. Abaixo disso às legislações estadual e federal não permitem que o profissional exerça essa atividade”, esclarece.
Nadir revela que o órgão vinha recebendo diversas denúncias de clientes que tiveram problemas após passar pelo procedimento. “Pessoas que vieram com as sobrancelhas quadradas ou tiveram reações alérgicas bem graves então fomos até os estabelecimentos e verificamos que esses profissionais não poderiam estar exercendo essa atividade”, completou.

Além de não ter a capacitação necessária a Vigilância descobriu que muitos estabelecimentos sequer tinham alvará de funcionamento e identificou ainda que havia profissionais que apresentaram inclusive diplomas falsos. “Encontramos diplomas falsos. Ligamos para essas universidades e descobrimos que esses alunos nunca estiveram naquela instituição. São fatos muito sérios que constatamos nessas fiscalizações”, disse.

Os locais foram autuados e como alguns continuaram ofertando o procedimento o caso foi encaminhado ao Ministério Público e Polícia Civil.

A micropigmentadora Kauna Samana, que começou a atuar no ramo há oito anos após concluir o curso técnico em estética e que atualmente também cursa biomedicina concorda com a fiscalização mais rigorosa. “Acho que agora as profissionais vão perder nesse momento, mas depois vão ganhar mais credibilidade. Hoje vejo que sou lesada porque as pessoas têm medo que viram o trabalho da outra que ficou mal feito, mas quando todos começarem a se qualificar a nossa profissão vai para outro patamar”, opina.

Ela destaca ainda que todos os dias é procurada por clientes que buscam reparar erros cometidos por outros profissionais em suas sobrancelhas e que de modo geral a população não entende os riscos do procedimento. “Tem toda a questão da biossegurança, doenças e infeção porque eu corto e sai sangue da pele. Então como fazer um curso de um dois dias e já querer trabalhar com isso sendo que a gente tem que estudar toda a parte da fisiologia, anatomia, sistema circulatório, sistema sanguíneo, entender o processo de inflamação e cicatrização da pele? Acho que essa fiscalização vai valorizar a profissão e todos saem ganhando”, completa.