Cidade
Foto: Carolina Ignaczuk/DAV - Mirles contraiu a doença aos seis meses de idade

A rio-sulense Mirles Aparecida Rossa Salla, de 56 anos, contraiu a poliomielite, doença popularmente conhecida como paralisia infantil, aos seis meses de idade. Só voltou a andar aos três anos e mesmo assim ficou com uma sequela na perna esquerda. Desde então, Mirles viveu uma vida normal. Casou, teve filhos e nem sequer lembrava que é uma sobrevivente da pólio. Até que há alguns anos, em 2014, ela começou a sofrer com fadigas e intensas dores pelo corpo. Consultou pelo menos cinco médicos e o diagnóstico foi o mesmo em todas as vezes: depressão.

Mirles viveu por um tempo acreditando que as dores que sentia eram ocasionadas pela depressão. Foi quando um médico de um posto de Saúde disse a ela que tudo aquilo poderia ser uma doença relacionada à pólio, chamada de síndrome pós-pólio. “Então eu fui para a internet e comecei a pesquisar. Para a minha surpresa, todos os sintomas que eles descreviam na síndrome eu estava sentindo”, conta a aposentada.

Durante a pesquisa, Mirles descobriu um centro de reabilitação em São Paulo, que trata de pessoas que têm sequelas causadas pela doença. Em 2015, durante uma consulta com o diretor do Centro de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo, ela foi diagnosticada com a síndrome pós-pólio. “Eu fui descobrir por mim mesma que os sequelados de poliomielite não podem ter uma atividade repetitiva, eles têm que cuidar dos seus corpos, não podem fazer atividades que causam cansaço”, ressalta.

Conscientização

Com o intuito de auxiliar os sobreviventes da pólio e alertar para os sintomas da síndrome, Mirles procurou o Rotary Club de Rio do Sul – Centenário, que anualmente realiza campanhas de conscientização para a imunização e também arrecada recursos para a vacinação de crianças em outros países. “A campanha de conscientização é para dar continuidade às vacinações, não só no Brasil, mas em todo o mundo e arrecadação de fundos para ajudar países menos desenvolvidos a vacinar as crianças”, explica o presidente do Rotary, Jeferson Vieira.

Com essas novas informações, a ideia é que a partir de 2018 a campanha do Rotary ganhe um novo tom. De acordo com Vieira, além de chamar a atenção das pessoas para a vacinação, a ação também irá alertar os sobreviventes da doença. “Muitos sobreviventes da paralisia infantil não sabem exatamente os danos após contrair a doença. Sendo que muitos deles têm sintomas que são confundidos com depressão ou com outras doenças, e que não são bem administradas”, reforça o presidente do Rotary.

Hoje, para amenizar as dores causadas pela síndrome, Mirles utiliza medicamentos especiais e também faz fisioterapia. Todos os seus membros foram afetados pela doença, mas mesmo assim ela não perdeu a vontade de ajudar outras pessoas. Para isso, participou de um seminário em São Paulo e trouxe informações para Rio do Sul com pretenção de aplicá-las nas campanhas do ano que vem. “Hoje o meu objetivo é chegar às pessoas que não têm conhecimento disso, aos vitimados de poliomielite, que têm que poupar seus corpos, suas energias, para evitar que sequelas piores venham a acontecer”, conclui.

Carolina Ignaczuk