Alto Vale
Foto: Cristiano Estrela/Secom

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

A volta as aulas é um dos temas que mais divide opiniões em meio a pandemia, e apesar de a região do Alto Vale ter saído do risco gravíssimo para grave no mapa que aponta indicadores como quantidade de casos de coronvírus e leitos disponíveis no estado, a preocupação com a saúde das crianças e colaboradores é uma realidade que vem sendo discutida pelos governos, escolas e associações. Uma reunião com representantes da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), prefeitos e Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) definiu que por enquanto é impossível garantir que todas as medidas sanitárias sejam cumpridas e a recomendação é de que o retorno das aulas para a Rede Municipal de Ensino não aconteça, no entanto a volta é uma decisão de cada município.

Conforme a assessora educacional da Amavi, Tânia Moratelli, a recomendação para a não retomada das aulas se dá por diversos motivos, e entre eles a falta do protocolo de segurança para educação infantil, que deveria ser enviado pelo Governo do Estado. “Uma das dificuldades é que até então as diretrizes e os protocolos de saúde para retorno da educação infantil e do ensino fundamental, que é a prioridade dos municípios, não foi nos enviada pelo grupo de trabalho do governo, que são aquelas 19 entidades que estão construindo o protocolo. Eles só nos encaminharam o protocolo do ensino superior, do ensino médio e do EJA, então como nós não temos esse documento específico para o retorno da educação infantil e do ensino fundamental isso acabou também dificultando essa situação da volta”, explica.

Tania ainda afirma que uma retomada das aulas presenciais poderia prejudicar o processo de aprendizagem, já que as escolas não teriam tempo hábil para analisar o estágio de aprendizado de cada aluno, e com um retorno gradual os estudantes começariam a frequentar as aulas de forma escalonada, o que precisaria te um tempo de adequação e entendimento das necessidades pedagógicas de cada aluno individualmente. “Iríamos prejudicar inclusive o processo de aprendizagem pois não tivemos tempo hábil para nos adequar a nova proposta, e não teríamos todos os alunos retornando no mesmo dia, seria de uma forma escalonada e gradual. Além disso precisamos de um tempo do final de setembro até o final do ano para verificar todos esses estágios e processos de aprendizagem até concluírem esse ano letivo. Precisamos de um tempo novamente para adequar processo de aprendizagem de on-line para presencial de forma gradual e escalonada”, avalia.

A decisão pelo não retorno das atividades foi tomada em conjunto, mas Tania ressalta que essa é apenas uma recomendação, e que cada prefeito pode tomar decisões diferentes para cada município, desde que obedeçam e se adequem às exigências de segurança. “As associações estão dando esse posicionamento de forma regional mesmo, mas cada prefeito tem autonomia para se reunir e definir o que será feito em cada cidade. O ano de 2020 não está perdido e nós vamos voltar sim quando tivermos mais segurança, também não estamos dizendo que vamos voltar só quando tiver vacina, vamos preparar nossos espaços e nossas escolas com segurança tanto para nossos educadores quanto para nossos alunos, pois nossa missão é preservar a vida e saúde dos nossos estudantes e profissionais do Alto Vale”, finaliza.

Em Rio do Sul, a secretária de Educação, Janara Mafra, explica que no município as decisões sobre a volta as aulas ainda estão sendo tomadas. “Nós temos uma reunião nessa terça e vamos providenciar a formação de um comitê das redes estadual, assistencial e municipal. Vamos conversar e analisar junto da Saúde levando em conta as pesquisas que formam feitas com as famílias também, de qualquer forma estamos preparados para o retorno, seja outubro, novembro, dezembro ou janeiro, mas claro que as aulas somente serão retomadas com a devida segurança e anuência da Saúde”, esclarece.

Na última semana, uma pesquisa feita pela Secretaria de Educação de Rio do Sul junto das famílias que tem alunos na rede municipal de ensino apontou que 51,4% dos pais ou responsáveis não apoiavam o retorno das aulas.