Em Santa Catarina, dados mostram que violência contra a mulher aumentou entre 2020 e 2025

Duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha, dados nacionais e de Santa Catarina mostram que a violência doméstica segue sendo uma realidade para muitas mulheres e reforçam a importância das redes de proteção e das políticas públicas de enfrentamento.

Mesmo 20 anos depois da implantação da Lei Maria da Penha, os números mostram um grande desafio. Cerca de 30 milhões de mulheres afirmam já ter sido vítimas de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. Quando questionadas sobre situações específicas de violência, esse número sobe para quase 48 milhões de brasileiras.

Dados mostram ainda que cerca de 54% das brasileiras que já se relacionaram com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência. Em contrapartida, apenas 11% dos homens reconhecem ter cometido algum tipo de agressão contra a parceira ou ex-parceira.

Quando se trata de obstáculos para denúncia, 68% das pessoas apontam o medo de denunciar por represálias ou pela falta de proteção; 56% citam o risco de impunidade dos agressores; 39% mencionam a lentidão da Justiça.

A violência psicológica aparece como a forma mais frequentemente relatada, e mais da metade das brasileiras afirma já ter sofrido pelo menos um dos tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha.

SANTA CATARINA

Em Santa Catarina os dados mostram que 65,6% das vítimas de feminicídio eram mães e 45,9%tinham filhos em comum com o agressor. Outros dados levantados pelo Ministério Público de Santa Catarina entre 2020 e 2024, com atualização dos números absolutos até 2025, mostra que foram 436.969 ocorrências policiais de crimes de violência contra a mulher no âmbito doméstico e familiar, o que corresponde a uma média de 199,3 ocorrências por dia, 8,31casos por hora.

O Levantamento do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina também registrou um crescimento de 17,7 % no número de registros que passaram de 64.014, em 2020, para 75.330, em 2025.  No mesmo período também foram registrados 328 feminicídios consumados.

Tais dados colocam Santa Catarina entre os estados com maior número de registros policiais de ameaça no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.

Ainda de acordo com o Observatório da Violência Contra a Mulher, somente em 2025 foram requeridas 31.655 medidas protetivas. De janeiro a junho deste ano, mais de 17 mil medidas já haviam sido concedidas. No mesmo ano, 52 mulheres foram vítimas de feminicídio e até o mês de junho de 2026, o Estado já contabilizava 28 feminicídios.

Os dados analisados pelo Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina, evidenciam que a violência doméstica e familiar contra a mulher permanece como fenômeno estrutural e persistente.